sexta-feira, 1 de setembro de 2017

"Um dia será feio dizer que se mata animais para comer", diz professor norte-americano em Caxias do Sul



O tratamento de animais como objetos de consumo, e as implicações e consequências desta prática para o meio ambiente, serão o assunto da palestra do norte-americano David Cassuto, nesta sexta, na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Professor de direito ambiental da Pace Law School (Nova York) e da Williams College (Massachussets), ambas nos Estados Unidos, Cassuto também é diretor do Instituto Brasil-EUA de Direito e Meio Ambiente e conselheiro da Animal Legal Defense Fund (ALDF). Especialista reconhecido, pretende levantar um debate sobre os aspectos éticos, bioéticos e socioambientais da proteção dos animais.

Cassuto está em Caxias pela segunda vez e falou com o Pioneiro ontem sobre o encontro na UCS, que faz parte da programação de abertura do curso de doutorado em Direito.

Confira trechos da entrevista:

Pioneiro: O senhor vem para falar sobre direito dos animais. Por que esse assunto está cada vez mais em alta?

David Cassuto: Pelo fato de que as pessoas estão dando mais valor aos bichos. Parece que estamos entendendo, de uma vez por todas, que indivíduos não são somente humanos, são animais também. E os indivíduos, todos, têm direitos.

Estamos em 2017 e ainda há bilhões de animais escravizados pela indústria. Em um artigo, o senhor, ao falar sobre os motivos pelos quais os humanos seguem comendo e usando animais, cita uma "profunda esquizofrenia moral"...

É isso mesmo. Há poucos dias morreu o meu cachorro. Ele era parte da minha família, era como um filho. Qual a diferença dele para os outros animais, aqueles que comemos, usamos animais em laboratório ou como máquinas? Não faz sentido pensarmos que um é diferente do outro, é loucura.

Movimentos que cultuam e reivindicam a redução do consumo de carne estão cada vez com mais força, mas ainda não são suficientes para conscientizar a população, não é?

A indústria alimentícia ainda tem muito mais força. Os grupos de vegetarianos e veganos são um caminho, uma força para que a conscientização não pare de crescer. Eles são o exemplo de pessoas que pensam nas implicações das ações tomadas na vida. O processo de comer tem inúmeras implicações e consequências, muitas delas ruins. Comer animais, por exemplo, implica em questões ambientais, mas pouca gente se dá conta disso. A maneira como os bichos são criados para a produção de alimentos desequilibra o meio ambiente. Bilhões, trilhões de animais são abatidos por ano no mundo, o que gera uma quantidade muito grande de resíduos.

Mas existe a possibilidade de, algum dia, animais não serem mais usados como alimento? O senhor vê uma mudança de comportamento a médio ou curto prazo?

É muito difícil, infelizmente. Trata-se de questões culturais que estão enraizadas: são aspectos econômicos, legais, sociais. Porém, não dá para desistir diante da dificuldade. Hoje já está diferente do que há 10 anos. Daqui 10 anos, espero, estará diferente e muito melhor do que está agora. Não acho que é preciso fazer mudanças radicais. Precisamos nos reconectar à ideia de que não podemos insistir em um sistema que afete o meio ambiente e, consequentemente, a nossa saúde.

O número de pessoas que não comem carne não diminui consideravelmente...

Falta consciência, buscar informação. Tenho certeza de que se mais pessoas enxergassem os olhos de um animal que será abatido para virar comida, esse número diminuiria. Aguardo para viver em uma época em que será feio e vergonhoso dizer que se mata um animal para comer.

O senhor viaja o mundo para falar sobre direitos dos animais. Existe alguma região mais avançada em termos de conscientização?

Infelizmente, não. No entanto, vejo avanços importantes, como é o caso da China. Lá eles têm o costume de comer carne de cachorro e agora parece que estão pensando mais na vida dos animais. Há um movimento para criar leis para proteger os bichos.

E como o senhor enxerga o Brasil nesse cenário?

Aqui tenho a impressão que todos, ou a maioria, são muito apegados aos animais, principalmente os domésticos. Isso faz com que existam mais pessoas sensibilizadas. Porém, aqui ainda há a farra do boi e outros movimentos culturais que instigam a crueldade. Ou seja: ainda é preciso falar muito sobre o assunto.

Fonte: ZH

sábado, 17 de dezembro de 2016

Tigre ataca treinadora durante apresentação em feira de entretenimento

Essa vai para aquelas pessoas que defendem exibição  e apresentações com animais: ESSE NÃO É O LUGAR DELES!!!

Um tigre atacou sua treinadora durante uma apresentação para crianças em uma feira de entretenimento na Flórida, Estados Unidos, nesta terça, dia 25. Um vídeo feito por um espectador mostra o momento do incidente.

O animal, chamado Gandhi, crava as garras na perna da treinadora, Vicenta Pages, e ela cai no chão. Para se defender, a mulher dá tapas e golpes de chicote no tigre.

Na sequência, é possível ver David Donnert, marido de Vicenta e também treinador de felinos, entrando na jaula para intervir. Ele ataca o animal, que começou a arrastar a mulher pelo chão, com um tipo de chicote. Após alguns golpes, o tigre solta a treinadora, que consegue se levantar e se afastar dele.

De acordo com informações do jornal New York Daily News, Vicenta Pages teve cortes na perna e passou por uma cirurgia para tratar uma possível infecção, mas está bem. O animal teria dois anos de idade e, segundo David, não foi um ataque.

— Foi um acidente. O tigre reagiu brincando — disse o treinador à TV local WKRG.

Após o incidente, a feira Pensacola Interstate informou em comunicado que a atração era terceirizada e que foi cancelada. Criticada nas redes sociais por compactuar com o abuso de animais, a empresa diz que não tolera maus-tratos e que não irá mais agendar apresentações com animais selvagens.

Fonte: Olhar Animal

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Justiça garante permanência de "casinhas amarelas" como abrigo para cães de rua em Bagé

Como um promotor de justiça pode passar vergonha??


Uma iniciativa em prol dos animais de rua em Bagé, na Fronteira Oeste, ganhou o aval da Justiça no fim do mês passado. Moradores espalharam dezenas de casinhas amarelas pelo município para servir de abrigo a cães abandonados. Uma ação civil movida pelo Ministério Público, no entanto, pedia a retirada das estruturas do Centro da cidade, região onde há áreas tombadas. Em decisão publicada no último dia 24, o juiz Max Akira Senda de Brito, da Comarca de Bagé, negou o pedido do MP e assegurou a manutenção das casinhas.

Os pequenos abrigos começaram a ser instalados na cidade há cerca de três anos, por iniciativa de Stefânia Barbosa Corrêa, 32 anos. Ela conta que a ideia surgiu quando uma cadela abandonada apareceu em sua rua. Depois de tentativas frustradas de manter a cachorrinha dentro de seu pátio, a moradora decidiu instalar uma casinha na calçada. Pouco tempo depois, outros cães abandonados surgiram e a iniciativa se ampliou.


— Conversando com um amigo jornalista, nós pensamos: "Quem sabe a gente lança um projeto para as casinhas amarelas?". A ideia saiu na rádio, eu fiz uma página no Facebook e comecei a juntar dinheiro. O pessoal começou a ajudar, inclusive gente de fora, do Rio de Janeiro e de São Paulo, e eu passei a encomendar e instalar as casinhas — lembra Stefânia.

O projeto ganhou o apoio da prefeitura de Bagé. Hoje, há cerca de 100 abrigos espalhados pela cidade, segundo estimativa da idealizadora. No entanto, a iniciativa não agradou todo mundo:

— Foi feita uma denúncia ao Ministério Público por depredação e desvalorização do patrimônio histórico e, a partir disso, começou esse processo — conta Stefânia.

Na ação civil, o MP pedia que a prefeitura providenciasse a retirada dos refúgios da região central da cidade. O órgão criticou a instalação das casinhas em áreas tombadas sem autorização do Instituto do Patrimônio Histórico do Estado (IPHAE) e apontou riscos sanitários e a possibilidade de acidentes de trânsito devido ao uso dos canteiros centrais.

O entendimento do juiz Max Akira Senda de Brito, no entanto, foi outro. Em seu despacho, ele considerou "evidente crueldade" negar os abrigos aos cachorros e elogiou a "por demais louvável" iniciativa: 

— A simples retirada dos abrigos não solucionaria o problema dos animais abandonados, eles continuariam a vagar pela cidade, porém, sem os cuidados que hoje possuem em razão do engajamento da sociedade e do município — explicou o magistrado.

O juiz também entendeu que as casinhas não descaracterizam o patrimônio histórico-cultural da cidade e que casas e prédios "permanecem irretocáveis".

Fonte: ZH

sábado, 12 de novembro de 2016

Chile prende o primeiro homem condenado por maus-tratos contra animais



Nesta terça-feira, 8 de novembro, funcionários da Guarda Civil do Chile prenderam José Miguel Campbell, que permanecia foragido desde março de 2016 desde que foi condenado a uma pena efetiva de prisão de 242 dias por violência animal.



O ocorrido aconteceu em 24 de outubro de 2014, quando Campbell juntamente com os irmãos Juan e Carlos López Saavedra amarraram a um caminhão uma cachorrinha que estava prenha e a arrastaram por mais de 500 metros através de uma estrada entre Vallenar e Freirina. O motivo? “Castigá-la” por ter atacado algumas aves de sua tutela.

O resultado da brutal agressão foi que Fatmagul, como foi chamada a cachorra, terminou com queimaduras devido ao atrito com o solo e fraturas em suas extremidades.

Com relação aos irmãos López, um deles, Carlos, ainda segue foragido, enquanto que Juan teve sua pena por maus-tratos.

Fatmagul foi adotada por uma família de Vallenar e se recuperou satisfatoriamente.

Fonte: Olhar Animal

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Justiça acolhe ação civil e suspende de vaquejada em Palmeira dos Índios, AL



A juíza da 2ª Vara de Palmeira dos Índios, Clarissa Mascarenhas, determinou, em caráter liminar, nessa quinta-feira (10), a suspensão da 25ª Vaquejada Ulisses Miranda 2016, que seria realizada nos dias 10, 11, 12 e 13 de novembro. A decisão atende a uma ação civil do Ministério Público Estadual (MPE), sob alegação de que a prática esportiva gera sofrimento aos animais envolvidos no evento.

De acordo com a decisão judicial, o artigo 300 do Código de Processo Civil (CPC) determina que “(?) A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo do dano ou o risco ao resultado útil do processo (?)”. A magistrada também menciona decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que, por maioria de votos, entendeu como “cruel e maldosa a prática em comento, fundamentando a decisão na afronta às normas constitucionais, concluindo pela inconstitucionalidade de uma lei estadual do Ceará que regulamentava a realização de tais eventos”.

Na liminar concedida, a juíza compreende que a vaquejada trata-se de uma expressão cultural e tradicional, principalmente na Região Nordeste, mas não pode se justificar o possível sofrimento aos animais, desrespeitando dispositivos no ordenamento jurídico. Conforme argumenta Clarissa, a proteção da fauna é medida necessária que torna efetivo o direito ao meio ambiente equilibrado.

“Outrossim, caso reste demonstrado através de estudos e perícias médicas que tais atividades não provocam quaisquer tipos de danos ou lesões aos animais, nada impede a revisão do posicionamento adotado”, declara a juíza.

A magistrada esclarece, no entanto, que a vedação se refere, somente, à prática da vaquejada ou de qualquer manifestação que ponha em risco a integridade ou cause maus-tratos aos animais, o que não impede a realização da parte musical do evento, desde que atendidos os requisitos legais.

Por tais razões, a juíza defere a tutela de urgência requerida em caráter liminar, determinando a suspensão de qualquer forma de competição ou apresentação com a utilização de animais, levando em conta o evento organizado pela Associação dos Vaqueiros do Brasil (AVAQ), seja entre os dias 10 e 13 deste mês ou em data posterior, sob pena de multa diária no valor de R$ 100 mil e apreensão dos instrumentos utilizados na vaquejada.



AÇÃO CIVIL

Para a promotora de Justiça Salete Adorno Ferreira e o defensor público Fábio Ricardo Albuquerque de Lima, os organizadores e participantes da vaquejada praticam atos que caracterizam maus-tratos contra animais, uma vez que lhes causam sofrimento, principalmente quando ocorre o puxão da calda e a queda provocada pelo vaqueiro. No evento previsto para começar nessa quinta, haveria as modalidades de vaquejada com bovinos e equinos.

ADIAMENTO

A 25ª Vaquejada Ulisses Miranda foi adiada após determinação da organização do evento esportivo. A decisão foi tomada depois de a 3ª Promotoria de Justiça de Palmeira dos Índios e a Defensoria Pública Estadual ajuizarem ação civil pública ambiental – com pedido de liminar – para proibir a realização do evento.

Henrique Carvalho, vice-presidente da Associação Alagoana dos Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ALQM), argumentou que a vaquejada foi analisada e aprovada através de laudos técnicos por 14 Conselhos Regionais de Medicina Veterinária (CRMVs) e pelo próprio curso da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

“Respeitamos todo o procedimento exigido para este evento. Tem protetor de caudas para afastar fraturas, colchão de areia para amortecer a queda e não há lesão muscular nem óssea. Não poder tocar no boi, não pode haver choque elétrico no curral, além de ter água e comida o tempo todo. Por outro lado, o vaqueiro tem que estar com capacete, é proibido chicote e qualquer sangramento do boi desclassifica automaticamente o competidor. Todo o evento ocorre sob os olhares dos juízes do Bem estar animal bovino e equino. Além disso, os animais passam por vários exames médicos”, explicou Henrique.

Fonte: Olhar Animal


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

OAB/RJ: Lei da Vaquejada e Rodeio é inconstitucional


O Presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB do Estado do Rio de Janeiro, Reynaldo Velloso, disse ontem (08), em entrevista a Rádio Nacional, estatal, do Sistema Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que a “a nova lei da vaquejada é uma afronta ao STF, um desrespeito à Constituição e um desafio aos Ministros da Corte Suprema  e pretende colocar a CF no lixo”, referindo-se às iniciativas contrárias ao que preconiza a Constituição Federal.
A nova lei eleva o Rodeio, a Vaquejada, bem como as respectivas expressões artístico-culturais, à condição de manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial.
Para o advogado, o relato do Ministro Marco Aurélio, na Ação Direta de Inconstitucionalidade com relação à lei do Estado do Ceará, não deixa dúvidas, pois esclareceu que a Vaquejada não existe sem maldades e sem crueldades. A presidente do STF,  Ministra Carmem Lúcia, chegou a destacar no julgamento, que “cultura se muda”.
Lembrou ainda, o presidente da CPDA/OAB-RJ, que em situações semelhantes, como a “Farra do Boi”, em Santa Catarina, em 1997, igual entendimento teve o STF, quando julgou a inconstitucionalidade da prática e declarou a maldade a que eram submetidos os animais. Igual destino obteve a “briga de galo”, em 2005, quando a Corte Máxima, pronunciou-se com igual decisão.
Segundo os laudos técnicos anexados aos autos do processo constam inúmeras conseqüências nocivas à saúde dos bovinos, como: fraturas das patas, ruptura de ligamentos e de vasos sanguíneos, traumatismos e deslocamentos das articulações, do rabo e até o arrancamento do mesmo, tendo como resultado o comprometimento da medula espinhal e dos nervos espinhais, dores físicas e sofrimento mental.
Os cavalos que participam dos certames, também são vítimas, pois sofrem lesões irreparáveis como: tendinite (lesões de tendões, tenossinovite, exostose (inflamação da membrana que envolve o osso), miopatias focal (dificuldade de locomoção associada à dor muscular generalizada), fraturas e osteoartrite társica.
Em outras ocasiões, o Supremo Tribunal Federal já definiu em sucessivos julgamentos, que as práticas que impõe crueldades contra animais, são incompatíveis com o disposto no artigo 225, parag. 1°, inc.VII da Constituição Federal.
“Não acredito que os Ministros mudem de posição, pois o principal argumento no relatório foi o sofrimento. Se entenderam que a vaquejada não existe sem dor, como podem entender em novo julgamento que são cócegas? Se os magistrados sucumbirem às pressões, teremos a desmoralização do STF e da própria Constituição, que neste caso, encontrará abrigo na lata de lixo”, finalizou, Reynaldo Velloso.

Fonte: Olhar Animal

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Em decisão judicial inédita, chimpanzé Cecilia será trasladada da Argentina para o Brasil


A chimpanzé Cecilia, um dos habitantes mais queridos do zoológico de Mendoza, na Argentina, está mais perto de abandonar essas terras e passar seus dias em uma reserva para grandes símios no Brasil. Em uma decisão inédita na província, a Justiça a considerou como sujeita de direitos não humanos e pavimentou o caminho para seu traslado.

Há alguns anos o destino da chimpanzé de cerca de 30 anos de idade, que ficou sozinha em seu cercado depois da morte de seus companheiros Charlie e Xuxa, esteve em disputa entre ambientalistas e funcionários do zoológico. Este litígio terminou na Justiça quando a Associação de Funcionários e Advogados pelos Direitos dos Animais (Afada) apresentou um habeas corpus perante o Terceiro Juizado de Garantias, aos cuidados de María Alejandra Mauricio.

A juíza decidiu ontem analisar o pedido da ONG e considerar que Cecilia é “sujeito de direitos não humanos, específicos de sua natureza”.

“Se reconhecem os direitos aos animais pela sua essência animal. Não estamos falando de direitos civis contemplados no Código Civil, mas sim de direitos próprios de sua espécie: seu desenvolvimento, sua vida em seu habitat natural”, a juíza explicou ao jornal Los Andes.

“Como não há nenhuma via processual específica para restabelecer a situação quando os direitos do animal foram violados, eu faço lugar como via processual estritamente sujeita às necessidades da petição feita pela ONG”, acrescentou a magistrada para justificar sua decisão, refletida na resolução assinada ontem.

Quando as novas autoridades do Ministério do Meio-Ambiente assumiram seu cargo, Mauricio citou novamente às partes para que tivessem conhecimento do processo legal que se seguia com o objetivo de procurar o bem-estar da chimpanzé Cecilia.

E acrescentou: “O ministro do Meio-Ambiente, Humberto Mingorance e o chefe de gabinete desse ministério Eduardo Sosa estiveram de acordo com o traslado e solicitaram seis meses para realizar os procedimentos”.

O prazo para concluir o traslado da chimpanzé, que viveu quase sua vida inteira em cativeiro, venceu no meio de outubro, mas a juíza estendeu o prazo para as autoridades, já que ela entende que se trata de um processo muito complexo. Mauricio adiantou que essas negociações “estão muito avançadas” e que tudo indica que no meio ou no final de dezembro Cecilia irá para a reserva especializada em grandes símios localizada no Brasil.

“Conforme o acordado pelas partes, eu dei mais tempo a eles, até o início do outono para realizar o traslado, quando as temperaturas aqui ainda são agradáveis”, continuou a magistrada.

O traslado ao santuário brasileiro é respaldado pelas autoridades da ONG internacional Projeto GAP (Great Ape Project) e pela Afada. No santuário de chimpanzés de Sorocaba, localizado em São Paulo, Cecilia poderá compartilhar seus dias com outros exemplares de sua espécie e receberá cuidados específicos em um habitat adaptado às suas necessidades. Assim ela poderá deixar para trás sua tristeza que é nítida em seu rosto enquanto caminha sozinha em sua pequena jaula.


Satisfação do Governo

O ministro do Meio-Ambiente, Humberto Mingorance, explicou que as negociações estão muito avançadas e que tudo indica que o traslado se finalizará durante a segunda quinzena de dezembro, com o aeroporto Francisco Gabrielli já habilitado depois das reformas.

“Estamos realizando as negociações para trasladar um animal de um país para o outro, algo que é complexo porque buscamos preservar o bem-estar dos animais e obter um controle do tráfico. Já temos o certificado internacional CITE do Brasil, que é o país receptor, e o da Argentina está para ser emitido”, apontou Mingorance.

E acrescentou: “Falta que nos entreguem a caixa de transporte onde Cecilia será trasladada. Antes disso ela deve ficar em quarentena por 30 dias para garantir seu estado de saúde. Uma pessoa a avalia e alimenta, e continua com suas práticas para que ela brinque e se mantenha ativa”.

O traslado implica uma viagem aérea de 3 horas e meia. Cecilia viajará em um compartimento fabricado sob os padrões internacionais que terá um recipiente para conter os excrementos, água e comida. Além disso, um veterinário viajará ao seu lado durante toda a duração do vôo, de acordo com Mingorance.

Projeto Grande Símio, cuja sede central se localiza em Madrid, Espanha, arcará com os gastos do traslado.

“Não temos antecedentes de traslados de animais desta forma; pode ter ocorrido anos atrás um intercâmbio de animais com zoológicos dentro do país, mas nunca com estas características. Cecilia não podia continuar vivendo nessas condições, por isso estamos muito felizes. Esta medida judicial inédita reforça nosso projeto de transformar o zoológico. E Cecilia não será a única a ser trasladada. Estamos trabalhando em outras linhas com outros animais para que sejam trasladados e tenham uma melhor qualidade de vida”, disse Mingorance.


Que conste nas atas

Entre os argumentos que levaram Afada a apresentar um habeas corpus incluem que “Cecilia foi privada ilegitimamente e arbitrariamente de seu direito de liberdade de circulação e a uma vida digna por parte das autoridades do zoológico”.

Na resolução judicial também apresenta a denúncia dos ambientalistas sobre o estado de saúde físico e psicológico da chimpanzé, que “está profundamente deteriorado e piorando a cada dia que passa, com evidências de risco de morte”.

Na apresentação de Afada também foi ressaltado que era “dever do Estado ordenar urgentemente a liberdade desta pessoa não humana, que não é uma coisa e, portanto, não pode estar sujeita ao regime jurídico de propriedade sobre a qual qualquer pessoa tem o poder de se dispor dela”.

“A chimpanzé Cecilia se encontra vivendo de modo absolutamente solitário, sem nenhuma companhia de seus congêneres, sendo que os chimpanzés são animais extremamente sociais, sem nenhum espaço verde ou árvores para se exercitar, nenhum enriquecimento ambiental, como instrumentos e jogos para se entreter”, acrescentou Afada em suas exigências.

A juíza María Mauricio entendeu que “a maioria dos animais e, concretamente, os grandes símios, também são de carne e osso, nascem, sofrem, bebem, jogam, dormem, possuem a capacidade de abstração, desejam, são gregários”, conforme se lê em sua resolução.

“A categoria de sujeito como centro de imputação de normas (ou “sujeito de direitos”) não compreenderia unicamente ao ser humano, mas sim também aos grandes símios. A ação de habeas corpus, no caso que nos ocupa, deve ser ajustada estritamente para preservar o direito de Cecilia de viver em um ambiente e nas condições próprias de sua espécie”, sentenciou a magistrada no expediente P-72.254/15, que ordenou forma inédita a melhorar as condições de vida da chimpanzé.


Antecedente

O antecedente legal na Argentina se remota ao final de 2014, quando a Câmara Federal de Cassação Penal reconheceu a fêmea de orangotango Sandra do zoológico de Buenos Aires como sujeita de direitos, concedendo proteção através desse recurso que também foi apresentado por Afada.

Fonte: Olhar Animal

Chimpanzé Cecília finalmente consegue habeas corpus

A chimpanzé Cecília, enclausurada há anos no zoológico de Mendoza, na Argentina, está perto de conhecer a liberdade. Em uma decisão inédita, a Justiça considerou a chimpanzé um sujeito de direitos e autorizou sua transferência para o GAP, santuário de grandes primatas no Brasil.
A chimpanzé vivia há anos sozinha em um recinto após a morte de seus companheiros, Chalie e Xuxa. O destino de Cecília era disputado por ambientalistas e funcionários do zoológico. A disputa acabou no tribunal e a primata conseguiu representação pela Associação de Funcionários e Advogados pelos Direitos dos Animais (Afada), através de Maria Alejandra Mauricio, que entrou com um pedido de habeas corpus perante o Terceiro Tribunal de Garantias argentino.
O juiz aceitou o pedido dos advogados e considerou que a Cecilia possui direitos inerentes à sua espécie. “O que reconhecemos aqui são os direitos animais, não estamos falando sobre direitos civis nos termos do Código Civil, mas os direitos de sua espécie animal: o seu desenvolvimento e a uma vida livre em seu habitat”, disse o juiz Andes.
Transferência
Segundo os responsáveis pelo translado, os esforços para a transferência de Cecília estão adiantas e provavelmente até o final de dezembro ela voará à caminho da sede do GAP em Sorocaba (SP).
No santuário no interior paulista, Cecília terá a chance de viver com outros membros de sua espécie em um ambiente adaptado às suas necessidades e finalmente deixará para trás uma vida de clausura, tristeza e solidão.

Fonte: ANDA

É oficial. Opção vegetariana nas escolas não é mais cara nem mais difícil


O desejo dos pais esbarra muitas vezes nos argumentos das autarquias, que financiam as refeições, ou nas objeções das empresas, contratadas para fornecer refeições. Havia que esclarecer de uma vez.

“Durante uma semana substituímos por legumes, a carne e o peixe usados na confecção de pratos tradicionais portugueses.Tudo o resto era igual. E fizemos contas. Não há que enganar”, explica à TSF Pedro Graça, o diretor do Plano Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção Geral de Saúde. “São tão simples umas refeições como outras, só substituímos alguns ingredientes, e em muitos casos até ficou mais barato.”

Uma preocupação foi garantir refeições equilibradas, com todos os nutrientes. Pedro Graça defende que também é simples, basta saber o valor nutricional de cada alimento. Pode ser necessário recorrer a alguns suplementos como ferro ou vitamina B12, mas em regra só quando as refeições não incluem laticínios nem ovos. “O mais importante é que haja acompanhamento de um profissional de saúde, um nutricionista”.

O Manual agora disponível no site da Direção Geral de Saúde (DGS.PT) , vai um pouco mais longe; às questões de saúde junta argumentos ambientais e económicos. Defende o uso de legumes nacionais, de preferência produzidos localmente, “é não só uma forma de criar emprego, de criar produtores locais, como representa menor impacto ambiental, por não exigir grandes viagens para transportar os alimentos”, defende Pedro Graça.

Desta forma, afirma o diretor do Plano Nacional de Promoção da Alimentação Saudável, também é mais fácil contornar alguns problemas a que os vegetarianos não escapam: produtos processados, excesso de sal ou excesso de açúcar, sal ou demasiada gordura, soja geneticamente manipulada vinda de outros continentes. “Sim, porque ser vegetariano não é necessariamente ser saudável”.

Fonte: Olhar Animal

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Taiwan proíbe testes de cosméticos em animais



Taiwan aprovou uma legislação que proíbe os testes de cosméticos, tanto dos produtos finais como dos seus ingredientes, em animais. A legislação entrará em vigor em 2019. Com esta medida, o país junta-se à União Europeia, Noruega, Israel, Índia, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Turquia e a vários estados do Brasil, que já decretaram proibições totais ou parciais destes testes.

“Este é um momento para celebrar, agora que Taiwan se junta ao movimento internacional crescente (…) para acabar com a crueldade nos cosméticos no sudeste da Ásia, tornando-se o primeiro país na região a banir os testes de cosméticos em animais”, declarou Claire Mansfield, da campanha #BeCrueltyFree da Humane Society International (HSI).

Joy Liou, da organização Taiwan SPCA, que juntamente com a HSI tiveram um papel decisivo para a aprovação da legislação, felicitou esta medida, salientando que o próximo passo é a proibição da venda de produtos de beleza importados que tenham sido testados em animais. “Testar cosméticos em animais causa-lhes dor e sofrimento para se obterem resultados dos ensaios que nunca se provaram que garantissem a segurança das pessoas e que não representam a ciência moderna”, disse.

Fonte: Olhar Animal

"Um dia será feio dizer que se mata animais para comer", diz professor norte-americano em Caxias do Sul

O tratamento de animais como objetos de consumo, e as implicações e consequências desta prática para o meio ambiente, serão o assunto d...