quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cães usados como cobaias na UFSM devem passar por nova cirurgia e ser encaminhados para adoção


Após procedimento, universidade pretende encaminhar animais para adoção

Os animais usados no experimento de um doutorando de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) deverão ser bem tratados, passar por nova cirurgia e encaminhados à doação. A determinação foi divulgada pelo reitor Felipe Müller, após reunião com a Comissão de Ética em Uso de Animais (Ceua) da instituição, na tarde de ontem.

Também na segunda-feira, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou a universidade com pedido de informações sobre a aprovação da pesquisa pela comissão. O projeto do doutorando Cristiano Gomes, sob orientação do professor Ney Luis Pippi, consistiu em retirar parte de mandíbulas de cães cobaias saudáveis para fazer a reconstituição com placas de titânio. Os dois negam maus-tratos.

Ontem, Pippi enviou carta ao Diário de Santa Maria ressaltando a importância da pesquisa. "Podemos afirmar que jamais infligimos maus-tratos a qualquer animal - pelo contrário, sempre pautamos nossas atividades didáticas e de pesquisa dentro dos princípios da ética e conforme o que prevê a lei (...) que regulamenta a utilização de animais para uso didático e científico", diz parte do documento.

O método seria usado no tratamento de câncer de boca de cães. No começo da tarde de ontem, os 11 membros da comissão de ética da UFSM estiveram reunidos por uma hora e 40 minutos. Em uma nota oficial, eles informaram que a comissão irá averiguar os fatos que envolveram os procedimentos da pesquisa. "A Ceua recomendou ao coordenador do projeto que os implantes sejam retirados", diz trecho da nota.

Caso é exceção, diz reitor


Após o encontro, os integrantes da comissão fizeram outra reunião, desta vez, com o reitor Felipe Müller.

- Vamos fazer com que os animais sobreviventes sejam bem tratados, que sejam retiradas as placas (de titânio) e que eles (cães) sejam encaminhados à doação - disse o reitor.

Perguntado se a reitoria iria intervir em experimentos futuros, ele disse que a comissão de ética obedece a uma legislação e que tem confiança no órgão:

- Esse caso foi uma exceção da exceção. O curso de pós-graduação em Medicina Veterinária tem conceito seis e professores muito bem conceituados. Vamos fazer recomendações para que casos como este não se repitam.

Na manhã de ontem, por volta das 10h30min, integrantes do Clube Amigos dos Animais e defensores dos bichos se reuniram em frente à Reitoria. Faixas e cartazes foram espalhados no chão, perto da entrada do prédio, com mensagens de repúdio ao uso de animais em pesquisas.

Às 11h30min, representantes entregaram um abaixo-assinado à chefe de gabinete do reitor, Maria Alcione Munhoz. O documento pedia o fim das experiências com animais. Outro documento será entregue ao Ministério Público Federal (MPF), pedindo rigor nas investigações.

Desde a semana passada, o Ministério Público investiga o caso.

Fonte: PGE

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