domingo, 20 de maio de 2012

A polêmica dos testes realizados em cães na UFSM


Um dos assuntos mais comentados na semana foi a investigação que o Ministério Público Federal e a Comissão de Ética em Uso de Animais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) farão sobre um projeto de Doutorado na área de Medicina Veterinária. Na tese a respeito da reconstrução da mandíbula de cães, um doutorando realizou experimentos em 12 animais que serviram como cobaias, sendo que três deles tiveram de ser sacrificados após complicações.
Os cães passaram por uma cirurgia na qual parte da mandíbula foi trocada por uma peça de titânio. O objetivo do estudo é diminuir problemas após a cirurgia de extração de tumores na boca dos animais. O projeto havia sido aprovado pela Comissão de Ética da UFSM, porém, segundo denúncias anônimas, houve falta de cuidados dos animais após as cirurgias – eles teriam sido abandonados em condições precárias – e muitos teriam ficado com sequelas.
De acordo com a psicóloga Ceres Faraco, especialista em comportamento de cães e gatos, a experimentação animal é uma área muito contestada por alguns e defendida por outros. Os argumentos de quem a defende situam-se no âmbito dos benefícios obtidos para a saúde humana e dos demais animais. “Os pesquisadores atribuem os avanços biomédicos à pesquisa em animais e justificam esta prática pela carência de métodos alternativos eficazes”, diz a psicóloga.
Por outro lado, há quem considere que as espécies animais são bem diferentes entre si e há riscos em extrapolar dados inter-espécie por questões de validade e de confiança para aplicar nos humanos. “Um dos exemplos destas possibilidades de extrapolação não válida ocorre no campo do estudo de fármacos e seus efeitos adversos. Ao serem administradas drogas para testes em animais, é bastante complexo o reconhecimento de sinais como os transtornos psíquicos, as dores de cabeça ou náuseas. Muitos destes efeitos ficam inacessíveis como problemas potenciais do fármaco”, afirma Ceres Faraco, ressaltando que os cientistas contrários à experimentação animal descrevem os progressos médicos obtidos sem o uso de animais e, os resultados enganosos de algumas pesquisas. “A intenção é colocar dúvidas e problematizar determinadas verdades científicas”, conclui a especialista.

Talidomida: um exemplo da ineficácia de testes em animais
O cobaia final de um experimento com animais é sempre o ser humano. Quem não se lembra dos efeitos causados pela talidomida? A droga, que chegou ao mercado pela primeira vez na Alemanha, em 1º de outubro de 1957, foi comercializada como um sedativo e hipnótico com poucos efeitos colaterais. A indústria farmacêutica que a desenvolveu acreditou que o medicamento era tão seguro que prescreveu às mulheres grávidas, para combater enjôos matinais.
Milhares de mulheres de 46 países tomaram a talidomida durante a gestação, e, anos depois, o medicamento foi considerado um dos piores acidentes médicos da história da humanidade. No final dos anos 1960, foram descritos na Alemanha, Reino Unido e Austrália os primeiros casos de malformações congênitas, onde as crianças nasciam com focomelia (anomalia congênita que impede a formação normal de braços e pernas), mas não foi imediatamente óbvio o motivo para tal doença. Dois anos mais tarde, já eram mais de 10 mil casos de defeitos congênitos associados em todo o mundo, e, após investigação, a Talidomida foi removida da lista de remédios indicados.
Por um longo tempo, a droga foi associada a um dos mais horríveis acidentes médicos da história por um simples motivo. Os procedimentos de testes de drogas naquela época eram muito menos rígidos e, por isso, os feitos na talidomida não revelaram seus efeitos teratogénicos. Os testes em roedores, que metabolizavam a droga de forma diferente de humanos, não acusaram mesmos efeitos horríveis que a droga causa em fetos humanos.
 
Lei Arouca
Aplicar os princípios da ética em pesquisa aos experimentos realizados com animais foi a principal bandeira que o deputado federal Sergio Arouca, já falecido, defendeu arduamente no Parlamento brasileiro. A Lei Nº 11798/2008, mais conhecida como Lei Arouca, foi aprovada em setembro de 2008, depois de 12 anos de tramitação no Congresso Nacional.
A consciência precisa de conhecimento. A SEDA recomenda dois filmes sobre o tema: “O planeta dos macacos”, que coloca os homens em condição social inversa aos macacos; e “Earthlings”, um documentário que mostra a indústria de alimentos e como os animais são tratados para serem usados com propósitos comerciais.

Fonte: Informativo SEDA de 18/05/12

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