sábado, 8 de dezembro de 2012

Como a Turquia trata os animais de rua


Estivemos recentemente em visita à Turquia. Além da deslumbrante formação geológica distinta em cada região no país, a cultura milenar enraizada que se manifesta em distintos hábitos e costumes, a rica gastronomia e a singularidade daquele povo inquieto que não gosta de ficar em casa à noite e tem nos passeios noturnos uma rotina prazerosa, chamou-nos a atenção a questão dos animais sem raça definida (os SRD's) que circulam com dignidade, livres e seguros. Eles são muitos, milhares, espalhados por todo território.
Praças, parques, monumentos históricos e espaços públicos em geral abrigam animais sadios, bem alimentados que disputam território, sim, mas não se afugentam à presença do ser humano. Buscam olhares de admiração e sabem exatamente quem poderão seduzir e obter ora um afago, uma foto, uma carícia concedida em troca de apetitosa comidinha. Os grupos de felinos convivem pacificamente entre si e alertam-se somente ao som de cães que passeiam com seus donos, afinal, esses sim são os estranhos no ambiente. Gatos sem qualquer demonstração de agressividade mas, como que em código estabelecido entre si, não permitem nada além do toque, reservando-se a manterem-se em terra firme;  pegá-los nos braços para um ninar é ter a surpresa do um pulo certeiro e rápido daquele de quem tentar detê-lo.
Os KÖPEKLER (cães)  e os KEDILER  (gatos), cujas pronúncias são, respectivamente, kpécler e quedíler, são respeitados por todos, indistintamente, cidadãos turcos e turistas. Circulam, caminham e passeiam sem medo. São elementos que compõem a paisagem e referência da Turquia, ilustrando souvenires e servindo de motivação à indústria da produção cultural. Mas como tudo não acontece em toque de mágica, este processo também teve uma origem e um histórico, fruto de um forte movimento aos animais de rua depreendido há menos de 10 anos pela pressão popular e dos movimentos organizados em torno de uma mesma causa: defendê-los, protegê-los, alimentá-los e cuidá-los.
A organização executiva-política das cidades é composta por “Câmaras”, o que equivaleria, em termos, as nossas prefeituras locais, porém, elas são definidas de acordo com o número de habitantes de cada região de tal maneira a permitir que todas as áreas sejam atendidas por seus representantes eleitos, e não de acordo com os limítrofes territoriais impostos em antigas convenções. Repasses simbólicos financeiros são concedidos às Ong's, cujo objetivo é mais o de vínculo do que propriamente o de tutela aos animais porque são elas, as câmaras, que definem as regras, a observância quanto ao cumprimento às leis e as sanções. Procedimentos de esterilização e médicos-veterinários são garantidos às entidades e elas se encarregam da manutenção dos bichanos contando com o apoio e cooperação da população.
No caso dos cães, por exemplo, não existe um número definido de animais por domicílio, mas se houver duas denúncias a respeito de um mesmo animal, ele passará  a ser controlado pelo “setor de controle urbano” da “Câmara” e seu proprietário terá que tomar medidas efetivas com vistas a solucionar a perturbação que este animal está propiciando aos vizinhos, do contrário, será retirado da família com a qual convive. O que normalmente acontece é a mudança do local de moradia para outro mais afastado e que não apresente riscos a nova interveniência por parte do poder público local, severo, sem dúvida.
Nos centros urbanos e de grande movimentação de pedestres e transeuntes, no máximo cinco (5) cães podem fazer seus percursos com seus passeadores ou cuidadores; nos bairros e periferias não existe esta imposição, onde é permitido circular com grande número sem qualquer constrangimento. A maior surpresa foi constatar uma espécie de brinco à orelha dos cães, em parte não sensível dela, onde é introduzido o chip ou registro dos dados, distinto em cores de acordo com a “Câmara” que exerce a competência local. Ao invés do chip diretamente no corpo do animal, o governo turco optou por identificá-lo com estes “brincos”, ali armazenados dados de procedência (quando o tem), da sua saúde, o nome do responsável, datas das vacinas, da esterilização, vermifugação etc. A revisão é periódica e previamente agendada com as organizações.
Crianças são motivadas a participarem e cooperarem com estas ações e grande parte da ração arrecadada provém das escolas, públicas e privadas; fortes campanhas ilustrativas estão afixadas em áreas de publicidade e propaganda; pontos específicos de alimentação de espécie de caixas suspensas com interior coberto visam  a proteção do alimento evitando o desperdício e os efeitos do tempo somam-se às dezenas distribuídas com critério; e, o mais importante, o engajamento e a união dos diferentes movimentos de defesa “hayvan” animal.
País com histórico de guerras e disputas desfralda ao mundo a bandeira branca pela causa animal: um exemplo a ser seguido! A Turquia ficará para sempre em nosso coração: deixamos amigos, sentimos o calor da sua gente e constatamos em ações simples o vislumbrar daquilo que esperamos um dia atingir e nos orgulhar: animais têm direito à vida digna, saudável, respeitosa e merecem por parte de todos, poder público e sociedade,  a proteção e o amparo.

Acessem: Ypedikule Hayvan Barinai, Türkiye Hayvan Barinak, wwwhaber34.com\ist
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Turquia tem postos para alimentar animais de rua

Descarte de animais não depende da condição econômica de uma nação. Esta triste realidade está diretamente ligada à inconsciência e falta de respeito ao próximo.
Quando falamos em próximo, não nos referimos necessariamente aos humanos. Os animais também são nossos próximos, muitas vezes, até mais que os próprios humanos, com toda sua fidelidade, respeito, dedicação e amor incondicional. Sim, os animais amam seus donos acima de tudo, sejam eles dignos de respeito e admiração ou não.
A passos curtos, mas felizmente, as pessoas estão começando a retribuir a este amor não apenas àqueles cães e gatos domiciliados. Na Turquia, por exemplo, também é visível e elevado o número de animais abandonados, porém, eles não estão sós. O poder público e associações de Proteção dos Animais instalaram no município de Sisli estações de alimentação que fornecem água e ração.
As instalações foram projetadas especificamente para permitir que cães e gatos que perambulam pelas ruas possam viver com o mínimo de dignidade. As estações são supervisionadas regularmente para garantir a manutenção das condições de saneamento e estão disponíveis durante 24 horas.
A medida vem ao encontro de outras leis, no sentido de proteger os animais abandonados. Desde 2004, Sisli é obrigado a vaciná-los e esterilizá-los e a sociedade também dá sua contribuição. Os moradores se revezam na rotina dos bichos e organizam campanhas de adoção.
Devido ao crescente número de cães e gatos esterilizados, a situação de abandono em Istambul está diminuindo. Esta é uma tendência em Porto Alegre e outros tantos municípios que seguirem exemplos bem sucedidos de Direitos Animais, sejam de países de Primeiro Mundo, sejam de países menos desenvolvidos. A questão do abandono é universal, mas o desejo de mudá-la depende de cada um de nós, cidadãos, homens de bem que respeitam seu próximo.

Fonte: Informativo SEDA de 07/12/12

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